Solário está para a pele como o tabaco está para os pulmões, diz secretário-geral da APCC

O número de cancros de pele tem vindo a aumentar e surgem anualmente dez mil novos casos, segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, que alerta para o perigo dos solários e para os benefícios da prevenção.

Em declarações à Agência Lusa, o secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) explicou que “o cancro de pele está a aumentar, mas o aumento não tem correspondido ao aumento da mortalidade”.

Osvaldo Correia revelou à agência Lusa que “os números dos últimos anos são superiores a dez mil novos casos anuais de cancro de pele e que só em relação ao melanoma têm aparecido cerca de mil novos casos todos os anos.

“Temos um aumento do número, fruto muito provavelmente de comportamentos de exagero e das tais férias relâmpago e intermitentes, exposição de UV elevada, com exposição elevada em pouco tempo”, disse Osvaldo Correia.

No que diz respeito aos comportamentos de risco, o responsável da associação alertou para os perigos dos solários, lembrando que “são fontes de ultravioletas potentes” que aumentam “exponencialmente” o risco de cancro de pele.

“As pessoas têm de perceber que o solário está para a pele como o tabaco está para os pulmões. Nem toda a gente que fuma vai ter um cancro de pulmão e nem toda a gente que foi ao solário vai ter um cancro de pele, mas ninguém tenha dúvida de que o tabaco é um factor de risco para o cancro do pulmão, como o solário é um factor de risco muito importante para o cancro da pele”, alertou o especialista.

As pessoas que fazem solário têm de ter especiais cuidados e particular atenção à alteração dos sinais da pele ou ao aparecimento de novos, sublinhando que quando se trata de alguém de pele clara, olho claro ou cabelo claro a atenção deve ser redobrada.

Quanto a cuidados preventivos, Osvaldo Correia relembrou o que “todas as pessoas já sabem”, nomeadamente evitar a exposição solar nas horas de maior calor, reforçar o protector no máximo de duas em duas horas, usar chapéu, óculos de sol, roupa de algodão, de preferência de manga comprida, e ter particular atenção aos medicamentos que possam potenciar a fotossensibilidade, como os antibióticos ou os anti-inflamatórios.

De acordo com os dados da APCC, os novos casos de cancro de pele surgem em adultos com cada vez menos idade, entre as faixas etárias dos 40, 30 e até 20 anos, quando os melanomas apareciam normalmente em pessoas na casa dos 50 e 60 anos. Os restantes tipos de carcinomas aparecem mais na faixa etária de entre os 40 e 50 anos.

Recorde-se que, no dia 9 de Maio a APCC organiza em Portugal a iniciativa Dia do Euromelanoma, uma campanha europeia para a prevenção do cancro cutâneo que tem como objectivo dar informação a todos os cidadãos sobre como prevenir a doença, como fazer um diagnóstico precoce e quais os tratamentos disponíveis.

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