Os governos de Portugal e do Brasil assinaram ontem, em Brasília, um memorando de entendimento para agilizar as exportações de fruta portuguesa para aquele país sul-americano, avançou a RTP.
“Este poderá ser um passo importante para a economia portuguesa, tendo em conta que a venda de fruta para o exterior já atingiu os 40 milhões de euros, valor que supera os 29 milhões de euros na comercialização internacional de vinho”, explicou Assunção Cristas, ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, no último de três dias de uma visita oficial ao Brasil.
“Tratou-se de abrir portas para que os produtores portugueses de fruta possam facilmente chegar ao mercado e aos consumidores brasileiros, que estão a apreciar muito as nossas frutas, desde a pêra rocha à castanha, à uva de mesa e aos pêssegos”, afirmou.
Destacando a “abertura do ministério da Agricultura brasileiro para ajudar a ultrapassar aspectos burocráticos e barreiras não alfandegárias que, muitas vezes, são impeditivos das exportações para o Brasil”, Assunção Cristas manifestou-se “confiante” no aumento das vendas nacionais de fruta para aquele país, dado o “interesse e ânimo” demonstrados pelos produtores portugueses.
Segundo a ministra, o memorando assinado “prevê que, no prazo de 90 dias, se reúna em Lisboa uma comissão técnica para apurar e agilizar todos estes procedimentos”, em linha com o que já aconteceu, no passado, em relação ao vinho e ao azeite.
A este propósito, Assunção Cristas salientou que os 40 milhões de euros das exportações portuguesas de fruta para o Brasil já superam os 29 milhões de euros de vinho exportado, sendo que no caso do azeite as vendas para o Brasil atingem os 150 milhões de euros.
“Neste momento Portugal vende mais fruta para o Brasil do que o Brasil para Portugal e o interesse dos nossos produtores está a crescer, pelo que é muito importante para eles ter mecanismos mais fáceis para chegar ao mercado brasileiro”, sustentou.
De acordo com Assunção Cristas, entre as oportunidades de investimento brasileiro em território nacional assume particular destaque a possibilidade de o Brasil “criar valor para os seus produtos em Portugal, fazendo a sua transformação no âmbito da agroindústria em Portugal”.
Desta forma, salientou, o Brasil passaria a ter “directamente acesso ao mercado de cerca de 500 milhões de habitantes da União Europeia, ultrapassando todas as barreiras que normalmente os produtos brasileiros têm”.
“O Brasil não tem por hábito acrescentar muito valor aos seus produtos, tem muita produção primária, mas acrescenta pouco valor, pelo que está interessado em começar a trabalhar nessa área e pode ser muito interessante fazê-lo no espaço europeu, nomeadamente em Portugal”, concluiu.


