
Ficar acordado até tarde, seja a trabalhar, por motivos de lazer ou simplesmente para inserir fotografias nas redes sociais, conduz a um maior risco de depressão ou de problemas de aprendizagem, revela um estudo citado pela Medical News Today e publicado na revista “Nature”.
O estudo concluiu que risco de vir a sofrer depressão ou outros problemas do foro psíquico não se deve apenas à falta de horas de sono, mas também à exposição à forte iluminação artificial dos candeeiros, computadores e iPads.
Conduzido pela John Hopkins University, nos Estados Unidos, o estudo foi realizado em ratinhos e vem explicar os danos causados pela possibilidade da utilização da luz durante a noite no século XXI. Os ratinhos foram expostos a ciclos de exposição à luz de 3,5 horas e depois escuridão durante 4,5 horas.
Não podendo os ratinhos expressar-se sobre o seu estado de humor, os investigadores aperceberam-se que, no decorrer dos ensaios, estes começaram a demonstrar comportamentos tipicamente depressivos como falta de interesse em açúcar e na procura de prazer e uma redução na atividade, bem como uma aprendizagem mais lenta e falhas de memória.
“Descobrimos que a exposição crónica à luz artificial intensa, mesmo a da sala de estar, em casa, e a do escritório após anoitecer para quem trabalha por turnos, aumenta os níveis de uma hormona responsável pelo stress, que resulta em depressão e diminui a função cognitiva”, revelou Samer Hattar, um dos investigadores.
Os resultados revelaram ainda que os níveis de cortisol (hormonas associadas a problemas de aprendizagem) dos ratinhos tinham aumentado e que estes sintomas foram reduzidos com a administração de Prozac, umconhecido antidepressivo.
Foi descoberto que a exposição à luz forte activa certas células oculares, conhecidas como células ganglionares retinianas intrinsecamente fotossensíveis (CGRif), exercendo um impacto sobre a região cerebral responsável pela saprendizagem e humor.
Considerando que os ratos e os humanos são muito semelhantes em várias facetas, e que ambos possuem este tipo de células oculares, os investigadores sugerem que o efeito pode ser o mesmo em ambas as espécies. Estudos anteriores em humanos tinham já demonstrado que a luz tem de facto um impacto sobre o sistema límbico do cérebro; o mesmo acontece com os ratos.
Mediante os resultados desta investigação, Samer Hattar recomenda que à noite reduzamos a intensidade da luz artificial, utilizemos lâmpadas com luz menos intensa e apenas utilizemos a luz estritamente necessária.


















