
Pelo menos um quinto da população portuguesa vive em condições de insegurança alimentar, disse José Lima dos Santos, investigador no Instituto Superior de Agronomia, durante a apresentação do livro “O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia”, que decorreu na terça-feira passada na Gulbenkian.
Para o investigador e coordenador do livro agora apresentado, o consumo informado e responsável não é suficiente e “sabemos que a alimentação do futuro não será um regresso ao passado”.
Por isso, aconselhou, “é necessária a intervenção pública através da regulamentação, rotulagem dos alimentes, é preciso impor limites à publicidade e promover a educação alimentar”.
O investigador do ISA falou ainda das consequências resultantes das carências nutricionais.
“As carências nutricionais específicas provocarem vulnerabilidade e determinadas patologias”, explicou, acrescentado que “a alimentação insuficiente agrava o circuito vicioso pobreza -desnutrição – doença – absentismo, com custos económicos óbvios”.
E defendeu, no final, uma alimentação equitativa que passe pela protecção social robusta e pela implementação de políticas activas de emprego e combate à pobreza.
O livro “O Futuro da Alimentação : Ambiente, Saúde e Economia”, resultou do ciclo de conferências que a Fundação Calouste Gulbenkian e o Jornal Público promoveram entre Março e Dezembro do ano passado.
“Esta obra na sua própria estrutura revela-se um sistema complexo. Aliás como o conjunto de temas que aborda. Na obra encontramos temas que se cruzam sobre produção, consumo e mercados de alimentos à escala global, alimentação e saúde, alimentação e pescas, alimentação e economia, alimentação, agricultura e ambiente, alimentação, cultura e ética”, explicou Viriato Soromenho Marques, da Universidade de Lisboa.





















