Pais passam mais tempo no trabalho do que com os filhos. Será que a tendência está a mudar?

bigstock-Happy-family-lifestyle-23452109

Ter trabalho, dar atenção aos filhos e passar mais tempo em casa. Esta deveria ser a equação possível para a maioria dos pais. Mas conciliar o trabalho com a vida familiar nem sempre é uma tarefa fácil para os homens, nomeadamente quando a progressão na carreira os impede de desempenhar o seu papel de pais.

Se, por um lado, há pais que trabalham o dia inteiro e apenas conseguem dedicar duas horas do final do dia a cuidar dos filhos, por outro lado, nos últimos tempos, tem-se verificado uma mudança de hábitos, já que há homens a querer acompanhar de perto o crescimento dos mais pequenos.

Para a jornalista e psicoterapeuta judia Naomi Shragai, a ausência de acompanhamento dos pais deve-se, sobretudo, ao facto das promoções no emprego coincidirem com o nascimento ou formação dos filhos.

Num artigo no Financial Times, Shragai dá como exemplo um executivo sénior de televisão que está a ler uma história na cama à sua filha de oito anos, às 22h00. O telefone toca – uma chamada de trabalho – e a história fica por acabar de ler.

A filha diz-lhe “és um pai terrível” e ele tenta explicar-lhe – sem sucesso – a razão para ter parado de contar a história. Este executivo trabalha diariamente até altas horas e apenas vê a sua filha durante duas horas durante a semana de trabalho. Apesar de não se conseguir desligar do trabalho, sente-se culpado por estar a perder os melhores momentos com a família.

Este cenário é familiar para muitos homens de família que ocupam cargos de chefia e que lutam para responder às exigências familiares, mas nem sempre conseguem, explica a psicoterapeuta.

“O comportamento do sexo masculino leva inclusive as mulheres a reflectir sobre os malabarismos que têm de fazer para assegurar o seu duplo papel – mães e donas de casa e trabalhadoras”, acrescenta.

O perigo é que, para os homens, o trabalho pode ser uma escapatória para as exigências emocionais da vida familiar, alerta a psicoterapeuta.

Todavia, nas últimas décadas, o papel dos homens de família tem vindo a mudar, já que passam a envolver-se mais nas questões familiares, explica Shragai.

Greg Hodder, director executivo da empresa de roupa Chasles Tyrwittt, estabeleceu uma regra para mostrar à sua mulher a devoção à família – não trabalhar depois das 18h00 ou aos fins-de-semana, e nem sequer responder a e-mails.

“As pessoas que trabalham muitas horas são menos capazes de atingir os seus objectivos. São pessoas que tentam dizer sim a tudo e acabam por perder o controlo a tudo”, revela Hodder.

Também Sulkowicz, executivo num grupo de media, decidiu passar a fazer o pequeno-almoço para os seus três filhos todos os dias e a ler-lhes uma história ao final do dia.~


Numa altura em que, em Portugal, foi anunciado que, a partir do próximo ano, os pais poderão sair mais cedo do trabalho para acompanharem os filhos em casa, acha que os homens vão saber abdicar da progressão no trabalho por uma vida familiar mais saudável? Ou o emprego vai continuar a ser a sua escapatória para fugirem às exigências da vida familiar? Partilhe as suas opiniões na nossa página de Facebook, em www.facebook.com/omeubemestar.

Governo quer usar fundos europeus para financiar part-time dos pais

family-reunion

O Governo pretende usar verbas europeias para suportar a “empregabilidade parcial” de um pai ou de uma mãe que pretenda dar um maior acompanhamento aos filhos, avançou ontem o ministro da Solidariedade e Segurança Social.

“Hoje uma mulher que pretenda ser mãe, mais do que a disponibilidade financeira, reclama por disponibilidade para uma maior dedicação. Se tempo tivesse para os acompanhar teria mais filhos”, disse Pedro Mota Soares, que falava na Comissão de Segurança Social e Trabalho.

O ministro acrescentou ainda que “uma mãe ou um pai pode vir mais cedo para casa, pode eventualmente vir a trabalhar apenas meio-dia que o Estado suporta o restante”.

A medida pretende responder aos desafios resultantes dos constrangimentos da demografia, nomeadamente a baixa natalidade, avançou a TVI24.

No discurso de intervenção na audição, Mota Soares avançou também que o Governo pretende alocar fundos europeus para criar incentivos ao envelhecimento activo, para que, “quem assim o escolha, a reforma não seja abrupta”.

“O compromisso europeu tem de merecer a atenção do esforço feito pelos portugueses. É tempo de a União Europeia perceber que não pode ser rápida a salvar bancos e lenta a salvar as pessoas”, disse, considerando que a UE precisa ter uma “estratégia concertada para o maior desafio das últimas décadas, o desemprego” e uma agenda para o “maior desígnio que se lhe pede, a reestruturação económica e o crescimento sustentável”.

Para Mota Soares, “aproveitar os fundos europeus é, mais que nunca, um imperativo, uma prioridade”.

Na audição, o ministro revelou ainda que já deram entrada cerca de 27.500 pedidos de revisão de abono de família este ano, dos quais mais de 17 mil passaram a beneficiar desta prestação social.

Segundo dados do ministério, ao todo deram entrada 27.486 pedidos e 17.062 agregados familiares viram a sua prestação de abono revista e atribuída.

Bem-estar dos pais aumenta após nacimento de uma criança

famiy1

Uma das investigações foi realizada com casais a viver na Alemanha e no Reino Unido e outra feita com base nas respostas das famílias norte-americanas a dois inquéritos nacionais. Os trabalhos foram apresentados no encontro anual da Population Association of America, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo de questões populacionais, e divulgados pelo jornal USAToday.

“Não encontrámos nenhuma prova que indique que o bem-estar parental diminua depois do nascimento de uma criança. Encontramos dados que confirmam que o bem-estar aumenta enquanto as pessoas estão a planear e à espera do nascimento de uma criança e também no primeiro ano de vida do filho”, assinala o estudo realizado por investigadores do Max Planck Institute, na Alemanha.

Os cientistas que analisaram “os níveis de felicidade” de casais britânicos e alemães, durante cinco anos antes de ter um filho e nos cinco anos seguintes ao nascimento, concluíram que o impacto de um filho é, de forma geral, positivo. Os níveis de felicidade dos pais foram comparados com os níveis que estas mesmas pessoas tinham quando não tinham filhos.

O estudo europeu considera que há factores, como a idade, que podem ter uma importante influência no bem-estar. Segundo explicam, as pessoas que se tornam pais em idades mais jovens têm uma maior tendência para uma redução da sua felicidade, enquanto que os que têm os filhos mais tarde conseguem níveis mais altos de felicidade após o nascimento da criança. Por outro lado, os investigadores notaram ainda outro dado interessante: a felicidade vai mudando com o número de filhos.

“O primeiro filho aumenta significativamente a felicidade. O segundo aumenta um pouco, e o terceiro já não aumenta de todo”, nota Mikko Myrskylä, co-autor da investigação Felicidade dos que não têm filhos.

Um outro estudo analisou os dados de dois inquéritos realizados nos EUA entre 1972 e 2008 e concluiu algo diferente. As respostas mostram que os pais eram menos felizes do que as pessoas sem filhos na década entre 1985-95, mas daí para a frente (até 2008) revelam que os pais são mais felizes.

Chris Herbst, investigador da Arizona State University e co-autor do estudo, avança com uma explicação, sugerindo que o nível de felicidade dos pais não aumentou de facto. O que diminuiu, defende, foi a felicidade das pessoas sem filhos o que faz com que os pais pareçam mais felizes por comparação.

Até agora, a maioria dos estudos indicava que a felicidade dos casais podia ser lida como um gráfico em forma de U, em que existe um pico na altura do casamento e enquanto não existem filhos, uma quebra quando eles nascem e depois uma recuperação para os níveis anteriores, à medida que os filhos vão ganhando a sua autonomia.