Ter trabalho, dar atenção aos filhos e passar mais tempo em casa. Esta deveria ser a equação possível para a maioria dos pais. Mas conciliar o trabalho com a vida familiar nem sempre é uma tarefa fácil para os homens, nomeadamente quando a progressão na carreira os impede de desempenhar o seu papel de pais.
Se, por um lado, há pais que trabalham o dia inteiro e apenas conseguem dedicar duas horas do final do dia a cuidar dos filhos, por outro lado, nos últimos tempos, tem-se verificado uma mudança de hábitos, já que há homens a querer acompanhar de perto o crescimento dos mais pequenos.
Para a jornalista e psicoterapeuta judia Naomi Shragai, a ausência de acompanhamento dos pais deve-se, sobretudo, ao facto das promoções no emprego coincidirem com o nascimento ou formação dos filhos.
Num artigo no Financial Times, Shragai dá como exemplo um executivo sénior de televisão que está a ler uma história na cama à sua filha de oito anos, às 22h00. O telefone toca – uma chamada de trabalho – e a história fica por acabar de ler.
A filha diz-lhe “és um pai terrível” e ele tenta explicar-lhe – sem sucesso – a razão para ter parado de contar a história. Este executivo trabalha diariamente até altas horas e apenas vê a sua filha durante duas horas durante a semana de trabalho. Apesar de não se conseguir desligar do trabalho, sente-se culpado por estar a perder os melhores momentos com a família.
Este cenário é familiar para muitos homens de família que ocupam cargos de chefia e que lutam para responder às exigências familiares, mas nem sempre conseguem, explica a psicoterapeuta.
“O comportamento do sexo masculino leva inclusive as mulheres a reflectir sobre os malabarismos que têm de fazer para assegurar o seu duplo papel – mães e donas de casa e trabalhadoras”, acrescenta.
O perigo é que, para os homens, o trabalho pode ser uma escapatória para as exigências emocionais da vida familiar, alerta a psicoterapeuta.
Todavia, nas últimas décadas, o papel dos homens de família tem vindo a mudar, já que passam a envolver-se mais nas questões familiares, explica Shragai.
Greg Hodder, director executivo da empresa de roupa Chasles Tyrwittt, estabeleceu uma regra para mostrar à sua mulher a devoção à família – não trabalhar depois das 18h00 ou aos fins-de-semana, e nem sequer responder a e-mails.
“As pessoas que trabalham muitas horas são menos capazes de atingir os seus objectivos. São pessoas que tentam dizer sim a tudo e acabam por perder o controlo a tudo”, revela Hodder.
Também Sulkowicz, executivo num grupo de media, decidiu passar a fazer o pequeno-almoço para os seus três filhos todos os dias e a ler-lhes uma história ao final do dia.~
Numa altura em que, em Portugal, foi anunciado que, a partir do próximo ano, os pais poderão sair mais cedo do trabalho para acompanharem os filhos em casa, acha que os homens vão saber abdicar da progressão no trabalho por uma vida familiar mais saudável? Ou o emprego vai continuar a ser a sua escapatória para fugirem às exigências da vida familiar? Partilhe as suas opiniões na nossa página de Facebook, em www.facebook.com/omeubemestar.




